“YOUSSIF” (JOSÉ)

Revelada em Makka, 111 versículos, com exceção dos
versículos 1 a 3 e 7, que foram revelados em Madina.
12ª SURATA
Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.
1 Alef, Lam, Ra.(666)
Eis aqui os versículos do Livro lúcido.
2 Revelamo-lo como um Alcorão árabe, para que
raciocineis.
3 Nós te relatamos a mais formosa das narrativas, ao
inspirar-te este Alcorão, se bem que antes disso eras um
dos desatentos.
4 Recorda-te de quando José disse a seu pai:(667)
Ó pai, vi,
em sonho, onze estrelas, o sol e a lua; vi-os prostrando-se
ante mim.(668)
5 Respondeu-lhe: Ó filho meu, não relates teu sonho aos
teus irmãos, para que não conspirem astutamente contra ti.
Fica sabendo que Satanás é inimigo declarado do
homem.(669)
6 E assim teu Senhor te elegerá e ensinar-te-á a
interpretação das histórias e te agraciará com a Sua
mercê, a ti e à família de Jacó, como agraciou
anteriormente teus avós, Abraão e Isaac, porque teu
Senhor é Sapiente, Prudentíssimo.
7 Na história de José e de seus irmãos há exemplos para
os inquiridores.
8 Eis que (os irmãos de José) disseram (entre si): José e
seu irmão (Benjamim) são mais queridos por nosso pai do
que nós, apesar de sermos muitos. Certamente, nosso pai
está (mentalmente) divagante!
9 Matai, pois, José ou, então, desterrai-o; assim, o carinho
de vosso pai se concentrará em vós e, depois disso, sereis
virtuosos.
10 Um deles disse, então: Não mateis José, mas arrojai-o
no fundo de um poço, pois se assim o fizerdes poderá ser
tirado por alguém de alguma caravana.
11 Disseram (depois de combinarem agastar José do pai):
Ó pai, que há contigo? Por que não nos confias José,
apesar de sermos conselheiros dele?
12 Envia-o amanhã conosco, para que divirta e brinque,
que tomaremos conta dele.
13 Respondeu-lhes: Sem dúvida que me condói que o
leveis, porque temo que o devore um lobo, enquanto
estiverdes descuidados.
14 Asseguraram: Se o lobo o devorar, apesar de sermos
muitos, seremos então desventurados.
15 Mas quando o levaram, resolvidos a arrojá-lo no fundo
do poço, revelamos-lhes:(670)
Algum dia hás de inteirá-los
desta sua ação, mas eles não te conhecerão.
16 E, ao anoitecer, apresentaram-se chorando ate seu pai.
17 Disseram: Ó pai, estávamos apostando corrida e
deixamos José junto à nossa bagagem, quando um lobo o
devorou. Porém, tu não irás crer, ainda que estejamos
falando a verdade!
18 Então lhe mostraram sua túnica falsamente
ensangüentada; porém, Jacó lhes disse: Qual! Vós mesmo
tramastes cometer semelhante crime! Porém, resignar-meei
pacientemente, pois Deus me confortará, em relação ao
que me anunciais.
19 Então, aproximou-se do poço uma caravana, e enviou
seu(671)
aguadeiro em busca de água; jogou seu balde (no
poço) e disse: Alvíssaras! Eis aqui um adolescente! E o
ocultaram entre seus petrechos,(672)
sendo Deus sabedor
do que faziam.
20 Venderam-no a ínfimo preço, ao peso de poucos
adarmes, sem lhe dar maior importância.
21 E o egípcio que o adquiriu disse à sua mulher: Acolhe-o
condignamente; pode ser que nos venha a ser útil, ou
poderemos adotá-lo como filho. Assim estabilizamos José
na terra, e ensinamos-lhes a interpretação das
histórias.(673)
Sabei que Deus possui total controle sobre os
Seus assuntos; porém, a maioria dos humanos o ignora.
22 E quando alcançou a puberdade, agraciamo-lo com
poder e sabedoria; assim recompensamos os benfeitores.
23 A mulher, em cuja casa se alojara, tentou seduzi-lo;
fechou as portas e lhe disse: Agora vem! Porém, ele disse:
Amparo-me em Deus! Ele (o marido) é meu amo e
acolheu-me condignamente. Em verdade, os iníquos
jamais prosperarão.
24 Ela o desejou, e ele a teria desejado, se não se
apercebesse da evidência do seu Senhor. Assim
procedemos, para afastá-lo da traição e da obscenidade,
porque era um dos Nossos sinceros servos.
25 Então correram ambos até à porta e ela lhes rasgou a
túnica por trás,(674)
e deram ambos com o senhor dela (o
marido) junto à porta. Ela lhe disse: Que pena merece
quem pretende desonrar a tua família, senão o cárcere ou
um doloroso castigo?
26 Disse (José): Foi ela quem procurou instigar-me ao
pecado. Um parente dela declarou, então, dizendo: Se a
túnica dele estiver rasgada na frente, ela é quem diz a
verdade e ele é dos mentirosos.
27 E se a túnica estiver rasgada por detrás, ela é que
mente e ele é dos verazes.
28 E quando viu que a túnica estava rasgada por
detrás,(675)
disse (o marido à mulher): Esta é uma de
vossas conspirações, pois que elas são muitas!
29 Ó José, esquece-te disto! E tu (ó mulher), pede perdão
por teu pecado, porque és uma das muitas pecadoras.
30 As mulheres da cidade comentavam: A esposa do
governador prendeu-se apaixonadamente ao seu servo e
tentou seduzi-lo. Certamente, vemo-la em evidente erro.
31 Mas quando ela se inteirou de tais falatórios, convidouas
à sua casa e lhes preparou um banquete, ocasião em
que deu uma faca a cada uma delas; então disse (a José):
Apresenta-te ante elas! E quando o viram, extasiaram-se, à
visão dele, chegando mesmo a ferir suas próprias mãos.
Disseram: Valha-nos Deus! Este não é um ser humano.
Não é senão um anjo nobre.
32 Então ela disse: Eis aquele por causa do qual me
censuráveis e eis que tentei seduzi-lo e ele resistiu.(676)
Porém, se não fizer tudo quanto lhe ordenei, juro que será
encarcerado e será um dos vilipendiados.
33 Disse (José): Ó Senhor meu, é preferível o cárcere ao
que me incitam; porém, se não afastares de mim as suas
conspirações, cederei a elas e serei um dos néscios.
34 E seu Senhor o atendeu e afastou dele as conspirações
delas, porque Ele é o Oniouvinte, o Sapientíssimo.
35 Mas apesar das provas, houveram por bem encarcerá-
lo temporariamente.
36 Dois jovens ingressaram com ele na prisão.(677)
Um
deles disse: Sonhei que estava espremendo uvas. E eu –
disse o outro – sonhei que em cima da cabeça levava pão,
o qual era picado por pássaros. Explica-nos a interpretação
disso, porque te consideramos entre os benfeitores.
37 Respondeu-lhes: Antes da chegada de qualquer
alimento destinado a vós, informar-vos-ei sobre a
interpretação. Isto é algo que me ensinou o meu Senhor,
porque renunciei ao credo daqueles que não crêem em
Deus e negam a vida futura.(678)
38 E sigo o credo dos meus antepassados: Abraão, Isaac
e Jacó, porque não admitimos parceiros junto a Deus. Tal
é a graça de Deus para conosco, assim como para os
humanos; porém, a maioria dos humanos não Lhe
agradece.
39 Ó meus parceiros de prisão, que é preferível: deidades
discrepantes ou o Deus Único, o Irresistível?
40 Não adorais a Ele, mas a nomes que inventastes, vós e
vossos pais, para o que Deus não vos investiu de
autoridade alguma. O juízo somente pertence a Deus, que
vos ordenou não adorásseis senão a Ele. Tal é a
verdadeira religião; porém, a maioria dos humanos o
ignora.
41 Ó meus companheiros de prisão, um de vós servirá
vinho ao seu rei e ao outro será crucificado, e os pássaros
picar-lhe-ão a cabeça. Já está resolvido a questão sobre a
qual me consultastes.
42 E disse àquele que ele (José) sabia estar a salvo
daquilo: Recorda-te de mim ante teu rei(679)
! Mas Satanás o
fez esquecer-se de mencioná-lo a seu rei permanecendo
(José), então, por vários anos no cárcere.
43 Disse o rei: Sonhei com sete vacas gordas sendo
devoradas por sete magras, e com sete espigas verdes e
outras sete secas. Ó chefes, interpretai o meu sonho, se
sois interpretadores de sonhos.
44 Responderam-lhe: É uma confusão de sonhos e nós
não somos interpretadores de sonhos.
45 E disse aquele dos dois prisioneiros, o que foi liberto,
recordando-se (de José), depois de algum tempo: Eu vos
darei a verdadeira interpretação disso: Enviai-me, portanto,
até José.
46 (Foi enviado e, quando lá chegou, disse): Ó José, ó
veracíssimo, explicai-me o que significam sete vacas
gordas sendo devoradas por sete magras, e sete espigas
verdes e outras sete secas, para que eu possa regressar
àquela gente, a fim de que se conscientizem.(680)
47 Respondeu-lhe: Semeareis durante sete anos, segundo
o costume e, do que colherdes, deixai ficar tudo em suas
espigas, exceto o pouco que haveis de consumir.
48 Então virão, depois disso, sete (anos) estéreis, que
consumirão o que tiverdes colhido para isso, menos o
pouco que tiverdes poupado (à parte).(681)
49 Depois disso virá um ano, no qual as pessoas serão
favorecidas com chuvas, em que espremerão (os
frutos).(682)
50 Então, disse o rei: Trazei-me esse homem! Mas quando
o mensageiro se apresentou a José, ele lhe disse: Volta ao
teu amo e dize-lhe que se inteire quanto à intenção das
mulheres que haviam ferido as mãos(683)
. Meu Senhor é
conhecedor das suas conspirações.
51 O rei perguntou (às mulheres): Que foi que se passou
quando tentastes seduzir José? Disseram: Valha-nos
Deus! Não cometeu delito algum que saibamos. A mulher
do governador disse: Agora a verdade se evidenciou. Eu
tentei seduzi-lo e ele é, certamente, um dos verazes.
52 Isto para que (ele) saiba que não fui falsa durante a sua
ausência, porque Deus não dirige as conspirações dos
falsos(684)
.
53 Porém, eu não me escuso, porquanto o ser é propenso
ao mal, exceto aqueles de quem o meu Senhor se apiada,
porque o meu Senhor é Indulgente,
Misericordiosíssimo.(685)
54 Então o rei disse: Trazei-mo! Quero que sirva
exclusivamente a mim(686)
! E quando lhe falou, disse:
Doravante gozarás, entre nós, de estabilidade e de
confiança.
55 Pediu-lhes: Confia-me os armazéns do país que eu
serei um bom guardião deles, pois conheço-lhes a
importância.
56 E assim estabelecemos José no país, para que
governasse onde, quando e como quisesse. Agraciamos
com a Nossa misericórdia quem Nos apraz e jamais
frustramos a recompensa dos benfeitores.
57 A recompensa da outra vida, porém, é preferível para
os fiéis, que são constantes no temor (a Deus).
58 E chegaram os irmãos de José, ao qual se
apresentaram. Ele os reconheceu, porém ele não o
reconheceram.
59 E quando, lhes fornecendo as provisões, disse-lhes:
Trazei-me um vosso irmão, por parte de vosso pai! Não
reparais em que vos cumulo a medida, e que sou o melhor
dos anfitriões?(687)
60 Porém, se não mo trouxerdes, não tereis aqui mais
provisões nem podereis acercar-vos de mim!
61 Responderam-lhe: Tentaremos persuadir seu pai;
faremos isso, sem dúvida.
62 Então, disse aos seus servos: Colocai seus produtos(688)
(trazidos para a troca) em seus alforjes para que, quando
regressarem para junto de sua família, os encontrem e
talvez voltem.
63 E quando regressaram e se defrontaram com o pai,
disseram: Ó pai, negar-nos-ão as provisões (se não
enviares conosco nosso irmão); se enviares o nosso irmão
conosco, tê-las-emos, e nós tomaremos conta dele.
64 Disse-lhes: Porventura, deverei confiá-lo a vós, como
anteriormente vos confiei seu irmão (José)? Porém, Deus é
o melhor Guardião e é o mais clemente dos
misericordiosos.
65 E quando abriram os seus alforjes constataram que os
seus produtos haviam-lhes sido devolvidos. Disseram
então: Ó pai, que mais queremos? Eis que os nossos
produtos nos foram devolvidos! Proveremos a nossa
família, cuidaremos do nosso irmão, uma vez que nos
darão a mais a carga de um camelo, a qual não é de pouca
monta.
66 Disse-lhe: Não o enviarei, até que me jureis
solenemente por Deus o que trareis a salvo, a manos que
sejais impedidos disso. E quando lhe prometeram isso,
disse: Que Deus seja testemunha de tudo quanto dizemos!
67 Depois disse: Ó filhos meus, não entreis (na cidade) por
uma só porta; outrossim, entrai por portas distintas;(689)
porém, sabei que nada poderei fazer por vós contra os
desígnios de Deus, porque o juízo é só d’Ele. A Ele me
encomendo, e que a Ele se encomendem os que (n’Ele)
confiam.
68 E entraram na cidade tal como seu pai lhes havia
recomendado; porém, esta precaução de nada lhes valeria
contra os desígnios de Deus, a não ser atender a um
desejo íntimo de Jacó, que tal lhes pedira. Eis que era
sábio pelo que lhe havíamos ensinado; porém, a maioria
dos humanos o ignora.
69 E quando se apresentaram a José, este hospedou seu
irmão e lhes disse: Sou teu irmão; não te aflijas por tudo
quanto tenham cometido.
70 E quando lhes forneceu as provisões, colocou uma
ânfora no alforje do seu irmão; logo um arauto gritou: Ó
caravaneiros, sois uns ladrões!
71 Disseram, acercando-se deles (o arauto e os servos de
José): Que haveis perdido?
72 Responderam-lhes: Perdemos a ânfora do rei e quem a
restituir receberá a carga de um camelo. (E o arauto disse):
E eu garanto isso.
73 Disseram: Amparamo-nos em Deus! Bem sabeis que
não viemos para corromper a terra (egípcia) e que não
somos ladrões!
74 Perguntaram-lhes: Qual será, então, o castigo, se
fordes mentirosos?
75 Responderam: Aquele cujo alforje se achar a ânfora
será retido como escravo; assim castigamos os iníquos.(690)
76 E começou ele (691)
a revistar os alforjes, deixando o de
seu irmão Benjamim por último; depois tirou-a do alforje
deste. Assim inspiramos a José esta argúcia, porque de
outra maneira não teria podido apoderar-se do irmão,
seguindo uma lei do rei, exceto se Deus o quisesse. Nós
elevamos as dignidades de quem queremos, e acima de
todo o conhecedor está o Onisciente.
77 Disseram (os irmãos): Se Benjamim roubou, um irmão
seu já havia roubado antes dele! Porém, José dissimulou
aquilo e não se manifestou a eles, e disse para si: Estais
em pior situação; e Deus bem sabe o que inventais.
78 Disseram, então: Ó excelência, em verdade ele tem um
pai ancião respeitável; aceita, pois, em seu lugar um de
nós, porque te consideramos um dos benfeitores.
79 Respondeu-lhes: Deus me perdoe! Não reteremos
senão aquele em cujo poder encontrarmos a nossa ânfora,
porque do contrários seríamos iníquos.
80 E quando desesperaram de demovê-lo, retiraram-se
para deliberar. O chefe(692)
, dentre eles, disse: Ignorais,
acaso, que vosso pai recebeu de vós uma solene
promessa perante Deus? Recordai quando vos
desvencilhastes de José? Jamais me moverei, pois, desta
terra, até que mo consinta meu pai ou que Deus mo
comande, porque é o melhor dos comandantes.
81 Voltai ao vosso pai e dizei-lhe: Ó pai, teu filho roubou e
não declaramos mais do que sabemos, e não podemos
nos guardar dos juízes.
82 E indaga na cidade em que estivemos e aos
caravaneiros com quem viajamos e comprovarás que
somos verazes.
83 (Quando falaram ao seu pai), este lhes disse: Qual! Vós
mesmos deliberastes cometer semelhante crime! Porém,
resignar-me-ei a ser paciente,(693)
talvez Deus me devolva
ambos, porque Ele é o Sapiente, o Prudentíssimo.
84 E afastou-se deles, dizendo: Ai de mim! Quanto sinto
por José! E seus olhos ficaram anuviados pela tristeza,
havia muito retida.
85 Disseram-lhe: Por Deus, não cessarás de recordar-te
de José até que adoeças gravemente ou fiques
moribundo!?
86 Ele lhes disse: Só exponho perante Deus o meu pesar e
a minha angústia porque sei de Deus o que vós ignorais…
87 Ó filhos meus, ide e informai-vos sobre José e seu
irmão e não desespereis quanto à misericórdia(694)
de
Deus, porque não desesperam da Sua misericórdia senão
os incrédulos.
88 E quando se apresentaram a ele (José) disseram: Ó
excelência, a miséria caiu sobre nós e nossa família;
trazemos pouca mercadoria; cumula-nos, pois, a medida, e
faze-nos caridade, porque Deus retribui os caritativos.
89 Perguntou-lhes: Sabeis, acaso, o que nesciamente
fizerdes a José e ao seu irmão com a vossa
ignorância?(695)
90 Disseram-lhe: És tu, acaso, José? Respondeu-lhes:
Sou José e este é meu irmão! Deus nos agraciou com a
Sua mercê, porque quem teme e persevera sabe que Deus
jamais frustra a recompensa dos benfeitores.
91 Disseram-lhe: Por Deus! Ele te preferiu a nós, e
confessamos que fomos culpados.
92 Asseverou-lhes: Hoje não sereis recriminados! Eis que
Deus vos perdoará, porque é o mais clemente dos
misericordiosos.
93 Levai esta minha túnica e jogai-a sobre o rosto de meu
pai, que assim recuperará a visão; em seguida, trazei-me
toda a vossa família.
94 E quando a caravana se aproximou, seu pai disse: Em
verdade, pressinto a presença de José,(696)
muito embora
pensais que deliro!
95 Disseram-lhe: Por Deus! Certamente continuas com a
tua velha ilusão.
96 E quando chegou o alvissareiro, jogou-a (a túnica de
José) sobre o seu rosto, que recuperou a visão.
Imediatamente lhes disse: Não vos disse que eu si de
Deus o que vós ignorais?
97 Disseram-lhe: Ó pai, implora a Deus que nos perdoe
porque somos culpados!
98 Disse: Suplicai pelo vosso perdão ao meu Senhor,
porque Ele é o Indulgente, o Misericordiosíssimo.
99 E quando todos se apresentaram ante José, este
acolhes seus pais, dizendo-lhes: Entrai a salvo no Egito, se
é pela vontade de Deus.
100 José honrou seus pais, sentando-os em seu sólio, e
todos se prostraram perante eles; e José disse: Ó meu pai,
esta é a interpretação de um sonho passado que meu
Senhor realizou. Ele me beneficiou ao tirar-me do cárcere
e ao trazer-vos do deserto, depois de Satanás ter semeado
a discórdia entre meus irmão e mim. Meu Senhor é
Amabilíssimo com quem Lhe apraz, porque Ele é o
Sapiente, o Prudentíssimo.
101 Ó Senhor meu, já me agraciastes com a soberania e
me ensinastes a interpretação das histórias! Ó Criador dos
céus e da terra, Tu és o meu Protetor neste mundo e no
outro. Faze com que eu morra muçulmano, e junta-me aos
virtuosos!
102 Esses são alguns relatos do incognoscível que te
revelamos.(697)
Tu não estavas presente com eles quando
tramaram astutamente.
103 Porém, a maioria dos humanos, por mais que anseies,
jamais crerá.
104 Tu não lhes pedes por isso recompensa alguma, pois
isto não é mais do que uma mensagem para a
humanidade.
105 E quantos sinais há nos céus e na terra, que eles
contemplam desdenhosamente!
106 E sua maioria não crê em Deus, sem atribuir-Lhe
parceiros.
107 Estão, por acaso, certos de que não os fulminará um
evento assolador, como castigo de Deus, ou que a Hora
não os surpreenderá, subitamente, sem que o saibam?
108 Dize: Esta é a minha senda. Apregôo Deus com
lucidez,(698)
tanto eu como aqueles que me seguem.
Glorificado seja Deus! E não sou um dos politeístas.
109 Antes de ti, não enviamos senão homens que
habitavam as cidades, aos quais revelamos a verdade.
Acaso, não percorreram a terra para observar qual foi o
destino dos seus antecessores? A morada da outra vida é
preferível, para os tementes. Não raciocinais?
110 Quando os mensageiros se desesperavam e
pensavam que seriam desmentidos, chegava-lhes o Nosso
socorro; e salvamos quem Nos aprouve, e o Nosso castigo
foi inevitável para os pecadores.
111 Em suas histórias há um exemplo para os
sensatos.(699)
É inconcebível que seja uma narrativa
forjada, pois é a corroboração das anteriores, a elucidação
de todas as coisas, orientação e misericórdia para os que
crêem.