15/01/2005 - A Filosofia dos Rituais do Hajj (Peregrinação)
Em nome de Allah, o Clemente, o Misericordioso Sermão da sexta-feira, 26 Zil Qui'da, 1425 – 7 de janeiro de 2005 Proferido pelo Cheikh Abdel Áti Hussein Abdel Rázik Tradução e adaptação: Prof. Samir El Hayek
A Filosofia dos Rituais do Hajj (Peregrinação)
Louvado seja Allah Que, com Suas dádivas as boas ações se completam e as benesses se multiplicam. As línguas se ocupam de lembrá-Lo e os corações de amá-Lo. Não há outra divindade além d’Ele, o Grandioso, o Altíssimo. Presto testemunho de que não há outra divindade além de Allah, Único, sem parceiros, a Ele pertence a verdadeira e inconfundível Soberania. Presto testemunho de que Mohammad é servo e Mensageiro de Allah. Que Allah o abençoe e lhe dê paz, bem como a seus familiares, seus companheiros e seus seguidores, amém.
Prezados irmãos:
Estamos sentindo, esses dias, os zéfiros da peregrinação para a Casa Sagrada de Allah, a respeito da qual o Rassulullah (S) disse: “Os peregrinos e os visitantes são a delegação e os hóspedes de Allah. Se Lhe pedirem, Ele lhes concederá; se Lhe pedirem perdão, Ele lhes concederá; se Lhe suplicarem, Ele os atenderá; se for pedida a interferência deles, Ele lhes concederá.” É necessário fazermos uma reflexão quanto à filosofia dos rituais da peregrinação, que se inicia com a vestir o ihram, ou seja, o nos livrarmos das vestimentas terrenas e seus enfeites, para vestirmos o izar e o rida brancos (as duas peças sem costura). Significa tirarmos as vestes da desobediência e colocarmos as vestes da obediência; tirarmos as vestes terrenos e vestirmos as da Outra Vida., expondo o corpo aos raios, provindos do céu, que cobrem a Casa Sagrada. Quanto às vestes da mulher, com suas vestimentas brancas, representam as vestes das mulheres do Paraíso. O ihram (a vestimenta do peregrino) faz o ser humano recordar da hora do seu nascimento, uma vez que nasceu nu, carregado nas mãos de outros. Faz também recordar o instante de sua saída deste mundo, embrulhado numa mortalha branca. Por isso, Allah, Ta’ála, nos diz no início da Surata da peregrinação: “Ó humanos, temei a vosso Senhor, porque a convulsão da Hora será algo terrível” (22:1). O tomar a Pedra Negra como um referencial, sendo a destra de Allah na terra, com a qual aperta as mãos de Suas criaturas, encerra um voto de obediência efetiva a Allah, em Sua Casa Sagrada. O circungirar a Caaba é o circular do coração ao redor da sacraticidade de Allah, é a atitude do amante para com o Amado Agraciador, cujas graças são percebidas e cuja essência é ignorada. Possui também um sinal e semelhança com os anjos que circungiram o Trono. Quando o peregrino circungira, carrega a energia iluminatória e gira ao redor da Casa como os elétrons giram ao redor do núcleo, auferindo energia a cada volta. Ele é tratado com os raios da Casa que, não digo que dissolvem os cálculos, como faz o raio lazer, mas dissolve o vestígio das desobediências e alivia o coração. É um raio de Allah que torna o indivíduo livre dos pecados como no dia em que sua mãe lhe deu à luz. Quando o peregrino aufere essa luz, Allah completa-lhe a Sua luz, juntando as duas luzes, a luz da obediência e a Luz do Senhor, Que disse: “Pode, acaso, equiparar-se aquele que estava morto e o reanimamos à vida, guiando-o para a luz, para conduzir-se entre as pessoas, àquele que vagueia nas trevas, das quais não poderá sair?” (6:122). Quanto ao percorrer a distância entre Safa e Marwa expressa a ordem ao peregrino de ter a alma serena, o coração limpo, que tenha hombridade e seja prestativo. O sa’i é o retorno do indivíduo ao seu Senhor, esperando ser perdoado. É uma lembrança das graças com que Allah cumula Seus servos. O Imam Ghazáli (Que Allah tenha misericórdia de sua alma), disse: “O sa’i entre o Safa e Marwa, na esplanada da Casa é semelhante ao retorno do servo, na Casa da Soberania, como manifestação da sinceridade no serviço para a obtenção da misericórdia de Allah. Encerra, também, lembranças da oscilação do indivíduo nos dois pratos da balança, no Dia da Ressurreição. Quanto ao deter-se em ‘Arafa, o principal pilar da peregrinação, é o rogo a Allah com coração repleto de temor, as mãos estendidas com esperança, línguas ocupadas com súplicas e esperanças sinceras no Misericordiosíssimo. O Rassulullah (S) disse a respeito de ‘Arafa: “Quem se deter em ‘Arafa e pensar que Allah não irá perdoá-lo, estará pensando mal de Allah.” No que diz respeito ao sacrifício, é a necessidade de se eliminar a desobediência e de se livrar de tudo que desagrada a Allah. O corte dos cabelos significa livrar-se de tudo que presenciou uma desobediência a Allah antes da peregrinação. O arremessar as pedrinhas representa a promessa da alma de desprezar o mal e expulsar os caprichos e a corrupção.Isso ensina o muçulmano a ser dinâmico na cultuação. Em duas ocasiões, uma pedra é beijada e a outra é arremessada, porque foi Allah que ordenou que assim fosse. Foi dado o nome de jamr’at (brasas), porque Allah lhes proporciona força e ódio contra Satanás, transformando-as como se fosses brasas. O Hajj é compromisso e honra. Compromisso de o peregrino não praticar atos que não se coadunam com a honra que Allah lhe proporcionou. Ele adquiriu piedade, vestiu a indumentária da piedade. Portanto, deve permanecer piedoso após a peregrinação.
Devemos pedir ao peregrino que peça a Allah que nos perdoe porque a sua prece é atendindida. O Rassulullah (S) disse: “Ó Allah, perdoa o peregrino e a quem ele pedir para ser perdoado.” Devemos beijar a sua fronte, após o seu retorno, como faziam os nossos antepassados, uma vez que a sua fronte pode ter-se prostrado em algum local que o Rassulullah ou algum de seus companheiros tenha se prostrado, em Macca ou em Madina.
Ó Allah, pedimos que nos proporcione o Hajj para a Tua Casa Sagrada. Amém
Wassalamu Alaikom Warahmatulláhi wabarakátoh. (Que a paz e a misericórdia de Allah estejam com todos)
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