31/12/2004 - Entre o Cristianismo e o Islam
Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso
Sermão da sexta-feira, 19 de Zil Qui’da 1425. 31/12/2004
Proferido pelo Cheikh Abdel Áti Hussein Abdel Rázik
Tradução e adaptação: Prof. Samir El Hayek
Entre o Cristianismo e o Islam
Louvado seja Allah. Nós Lhe agradecemos e buscamos a Sua ajuda e diretriz. Buscamos refúgio junto a Ele quanto aos malefícios das nossas almas e as maldades das nossas ações. Àquele a quem Allah encaminhar, ninguém o pode desviar, e quanto àquele a quem desviar, ninguém pode pô-lo no caminho certo. Presto testemunho de que não há outra divindade além de Allah, Único, sem parceiros. Presto testemunho de que Mohammad é o Seu servo e mensageiro.
Caros muçulmano:
Allah, Ta’ála, descreveu a Jesus (AS) como servo de Allah e Seu mensageiro, dizendo: “O Messias, Jesus, filho de Maria, foi tão-somente um mensageiro de Allah e o Seu Verbo, que Ele enviou a Maria, e um Espírito d’Ele” (4:171). Vemos também que a divinização de Jesus é uma blasfêmea manifesta. Allah, Ta’ála, diz: “São blasfemos aqueles que dizem: Allah é o Messias, filho de Maria” (5:17). No Evangelho de S. Mateus, 12:29-30, lemos: “Ouve ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o Único Senhor! Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força.” O Alcorão Sagrado confirma a crença de Jesus (AS) em Allah e o seu apelo a seu povo ao dizer: “Ó israelitas, adorai a Allah, Que é meu Senhor e vosso” (5:72). Em Mateus, 4:10, lemos: “Ao senhor, teu Deus, adorarás, e só a Eledarás culto.”
De acordo com o que lemos acima, concluímos que Jesus (AS) é um profeta puro e casto, a exemplo de todos os outros profetas. Porém, apesar de tudo, ele é humano. O Alcorão nos diz: “O exemplo de Jesus, ante Allah, é idêntico ao de Adão, que Ele criou do pó; então lhe disse: Seja! e foi” (3:59).
O cristianismo puro concorda com o Islam em algumas virtudes, como o pudor, por exemplo. Se o Islam proibe a fornicação, nas palavras: “Evitai a fornicação, porque é uma obscenidade e um péssimo exemplo!” (17:32), o Jesus (AS), disse, no Evangelho de Mateus, 5:27-28: “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.”
Se o Islam invoca para a paz e a não agressão, dizendo: “Quem matar uma pessoa, sem que esta tenha cometido homicídio ou semeado a corrupção na terra, será considerado como se tivesse assassinado toda a humanidade; quem a salvar, será reputado como se tivesse salvo toda a humanidade” (5:32), no Evangelho de São Mateus, 10:16, lemos: “Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e simples como as pombas.” E disse em Mateus, 5:9: “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.”
Se o Islam convoca para a resignação, dizendo: “Não ambicioneis aquilo com que Allah agraciou uns, mais do que aquilo com que (agraciou) outros. Aos homens corresponderá uma parte, de acordo com o que ganharem; assim, também às mulheres corresponderá uma parte, de acordo com o que ganharem” (4:32), a Bíblia diz: “É preferível perante Deus que o homem cometa adultério sete vezes do que cometa adultério com a esposa do próximo.” Em Êxodo, 20:17, lemos: “Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao seu próximo.”
Se o Islam convoca para a modéstia, ao dizer: “E não contorças o rosto às gentes, nem andes insolentemente pela terra, porque Allah não estima arrogante e vaidoso algum” (31:18), no Evangelho de Mateus, 5:22, lemos: “Eu, porém, vos digo que todo aquele que (sem motivo) se irar contra seu irmão esatrá sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.”
Se o Islam convoca para o amor e à amizade, ao dizer: “O bom exemplo que os crentes demonstram, com relação ao seu carinho, sua misericórdia e amabilidade recíprocas, é como se fosse proveniente de um só corpo; quando um membro se encontra indisposto, todo o resto do corpo mostra sua debilidade e febre”, no Evangelho de Marcos, 12:31, lemos: “Amarás o teu próximo como amas a ti mesmo” e no Evangelho de João, 13:34-35: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros.”
Apesar disso, alguns ensinamentos cristãos parecem, às vezes, muito rigorosos. Dizem que Jesus (AS) disse: “Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra; e ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas.” (Mateus, 5:39-41). Entende-se disso que Jesus (AS) disse isso para mudar o espírito de rigor com que o seu povo ficou conhecido. Porém, isso não pode ser considerado uma lei moral, em todas as circunstâncias. O Islam proclama a aplicação da lei contra o mal, onde ele se manifestar.
O Islam e o cristianismo acreditam que Jesus (AS) anunciou a vinda de Mohammad (S), no Alcorão: “… e o anúncio de um Mensageiro que virá depois de mim, cujo nome será Ahmad!” (61:6), e no Evangelho, disse: “Quer crerdes em mim quer não, virá o Peráclito”, ou o louvável, ou seja Mohammad.
Pelo que vimos antes, concluimos que os muçulmanos crêem em Jesus como um dos profetas de Allah, respeitam-no da mesma forma que respeitam o Profeta Mohammad, porque não fazem distinção entre nenhum dos mensageiros de Allah. Por isso, os cristãos devem também crer na mensagem do Islam e no Profeta Mohammad (S). Quem não fizer isso, sua crença estará defeituosa.
Que Allah nos fixe na fé e nos proporcione a felicidade almejada, e que a cada ano estejam todos com saúde. Amém.
Wassalamu Alaikom Warhmatulláhi Wabarakátoh
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