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19/11/2004 - O que Devemos Fazer Após o Ramadan

Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso


Sermão da sexta-feira, 7 de Chauwal 1425. 19/11/2004


Proferido pelo Cheikh Abdel Áti Hussein Abdel Rázik


Tradução e adaptação: Prof. Samir El Hayek


 


O que Devemos Fazer Após o Ramadan


 


 


Louvado seja Allah. Nós Lhe agradecemos e buscamos a Sua ajuda e diretriz. Buscamos refúgio junto a Ele quanto aos malefícios das nossas almas e as maldades das nossas ações. Àquele a quem Allah encaminhar, ninguém o pode desviar, e quanto àquele a quem desviar, ninguém pode pô-lo no caminho certo. Presto testemunho de que não há outra divindade além de Allah, Único, sem parceiros. Presto testemunho de que Mohammad é o Seu servo e mensageiro.


Caros muçulmano:


Allah, Ta’ála, nos instituiu o mês de Ramadan e eis que ele já passou, levando consigo as obras dos servos para apresentá-las ao Criador. Que devemos fazer depois de Ramadan? A resposta é que o nosso comportamento deve continuar como foi durante o Ramadan. É preciso que as mesquitas estejam sempre repletas de oradores, como aconteceu durante o Ramadan. Não podem as mesquitas ficar vazias durante onze meses do ano, e se encherem apenas durante o mês de Ramadan. Não sabem as pessoas que o Senhor de Ramadan é o Senhor do ano todo? O Rassulullah (S) descreveu os frequentadores assíduos das mesquitas, dizendo: “As mesquitas possuem estacas, se comparecerem, não são conhecidas, se faltarem não serão notadas. São as lamparinas da escuridão, em noite tenebrosa.”


Se não frequentarmos as casas de Allah, Ta’ála, em todas as épocas, não seremos crentes nem estaremos orientados. Isso é corroborado pelas palavras de Allah, Ta’ála: “Só freqüentam as mesquitas de Allah aqueles que crêem em Allah e no Dia do Juízo Final, observam as orações, pagam o zakat, e não temem ninguém além de Allah. Quiçá, estes se contem entre os encaminhados” (9:18).


É preciso que as mãos que se estenderam para Allah, em súplica, que não se estendam para o ilícito. É preciso que as línguas  que se adoçaram com o Alcorão, que não se descuidem e passaem a caluniar a honra dos outros. É preciso que os olhos, que prescrutaram o Livro de Allah durante todo o mês de Ramadan, que não olhem para os defeitos das pessoas. É preciso que as pernas que sofreram por permanecerem muito tempo em pé entre as mãos de Allah, que não se movimentem a não ser naquilo que apraz a seu Criador e Agraciador. É preciso que o indivíduo que foi paciente na prática do lícito, que seja paciente quanto ao ilícito. Em uma frase mais ampla, é preciso que sejamos abrangentes em nossas adorações e não restritos à prática durante o Ramadan. Em tal situação podemos dizer para as coisas: Sejam!, e serão, como nos foi comunicado pelo Criador, glorificado seja: “Servo Meu, obedece a Mim e serás divinizado, obtendo o que desejas.”Isso nos esclarece quanto aos frutos do jejum que devem-se manifestar depois de Ramadan, porque o médico só exerce a sua profissão e trata de seus pacientes depois de se formar em faculdade de medicina. O mesmo acontece com o jejuador, que só deve ser exigido a respeito de seu comportamento depois de se formar na escola do jejum. Se procurarmos saber qual é a principal função do ser humano neste mundo, verificaremos que ela é representada pela adoração. Allah, exlatado seja, criou o homem para ser legatário na terra. Isso está claro nas Suas palavras aos anjos, a respeito de Adão, ao dizer: “…de quando teu Senhor disse aos anjos: Vou instituir um legatário na terra!” (2:30). A primeira função designada ao homem  foi o de conhecer o seu Senhor, e adorá-Lo devidamente. Allah, Ta’ála, diz: “Allah foi Quem criou sete firmamentos e outro tanto de terras; e Seus desígnios se cumprem, entre eles, para que saibais que Allah é Onipotente e que Allah tudo abrange, com a Sua onisciência” (65:12). O versículo sagrado esclarece que o conhecimento quanto a Allah é o objetivo na criação dos céus e da terra. Um outro versículo esclarece  a necessidade da adoração. Allah diz: “Não criei os gênios e os humanos, senão para Me adorarem” (51:56). No hadice Cudsi, Allah, Ta’ála, diz: “Ó servos Meus, não vos criei por sociabilidade, ou por parcimoniabilidade, ou por auxiliabilidade, nem para adquirir benefício nem para remover um malefício. Criei-vos para Me adorarem longamente, lembrarem-se muito de Mim, e Me glorificarem dia e noite”


Ao observarmos o mundo em que vivemos, verificamos  que tudo que nele existe vive e trabalha para outrem. A água pertence à terra, a terra pertence às plantas, as plantas pertencem aos animais, e os animais pertencem ao homem. E qual é a função do homem?  É conhecer e adorar a Allah e respeitar-Lhe os direitos. Allah ordenou a todos os profetas e mensageiros quanto  à adoração, dizendo: “Jamais enviamos mensageiro algum, antes de ti, sem que lhe tivéssemos revelado que: Não há outra divindade além de Mim. Adora-Me!” (21:25). Ao Rassulullah (S), disse: “E adora ao teu Senhor até que te chegue a Hora da certeza” (21:99), ou seja,  a adoração é obrigatória para ele até a morte. A respeito de Jesus (AS), foi dito: “O Messias não nega ser um servo de Allah, assim como tampouco o fizeram os anjos próximos (de Allah)” (4:172). No Evangelho de Mateus, lemos: “Jesus foi levado pelo diabo, para ser tentado, a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles, e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a Ele darás culto.”


Se a ordem foi dada aos profetas, é porque a vida reside nela.


Foi perguntado ao escritor francês, Rogé Garudy, qual era a idade dele. Ele respondeu: “quatro anos”, mesmo tendo, na época cinquenta e seis anos. Foi-lhe perguntado, por que ele restringiu a sua idade a quatro anos, e ele respondeu que tinha sido o tempo em que ele conheceu a seu Criador, porque o tempo anterior a aquilo não tinha nenhum valor.


Portanto, é melhor para nós estrmos sempre vinculados a Allah, Ta’ála, para auferirmos tanto esta vida como a Outra.


Wassalamu Alaikom Warhmatulláhi Wabarakátoh.


 

 


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