05/11/2004 - A Responsabilidade do Governante no Islam
Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso Sermão da sexta-feira, 22 de Ramadan 1425. 5/11/2004 Proferido pelo Cheikh Abdel Áti Hussein Abdel Rázik Tradução e adaptação: Prof. Samir El Hayek
A Responsabilidade do Governante no Islam
Louvado seja Deus, Senhor do Universo, Que abriu, durante o mês de Ramadan, as portas do Paraíso, e tornou o jejum e as orações noturnas durante este mês um escudo contra o Fogo Infernal. Presto testemunho de que não há outra divindade além de Allah, Deus, Único, sem parceiros. Presto testemunho de que Mohammad é Seu servo e Mensageiro. Que Deus o abençoe e lhe dê paz, bem como aos seus familiares, seus companheiros e seus seguidores, amém. O governo no Islam assenta-se em bases fortes que consolidam a segurança e a estabilidade de toda a sociedade. Dentre essas bases incluem-se a justiça e a igualdade. Deus, Exaltado seja, criou todas as pessoas de uma só procedência, sem distinção entre eles a não ser pela piedade. O Alcorão Sagrado nos diz: "O mais honrado dentre vós é o mais piedoso." O primeiro califa dos muçulmanos, Abu Bakr Assidik, (Que Deus Se compraza com ele), no discurso de sua posse, disse: "Ó homens, fui designado como vosso governante, apesar de não ser o melhor dentre vós. Se tiver sucesso, ajudai-me, se tiver insucesso, deveis corrigir-me. Sabei que o forte, dentre vós, será fraco perante mim até que restitua o direito do débil que ele usurpou, e o fraco será forte perante mim até que eu lhe restitua o seu direito. Obedecei-me, enquanto eu obedecer a lei de Deus e os ensinamento de Seu Mensageiro. Se eu desobedecê-Lo não deveis obedecer-me." O mesmo fez o segundo califa, Ômar Ibn Al Khattab, quando enviou uma carta a Abou Mussa Al Achári, governador de Kufa. Disse-lhe nela: "Ó Abu Mussa, fica sabendo que és uma dentre as pessoas. Porém, Deus aumentou-te fardo. Quem for designado para governar os muçulmanos tem o mesmo dever que o escravo tem para com o amo." De acordo com os princípios do Islam, o sistema de consenso e de consulta é um fundamento inabalável para a governança, porque ele rejeita a ditadura e a tirania. Por isso, afirmamos que é necessário, para qualquer nação que deseja o desenvolvimento, a segurança e a estabilidade para seus cidadãos, seguir o princípio de consulta e do consenso. O Rassulullah (S), como primeiro governante do império muçulmano, era a mais inteligente das pessoas e, apesar disso, consultava, sempre, seus companheiros, em atendimento às palavras de Deus: "E consulta-os sobre os assuntos do momento". Ele consultou os seus companheiros a respeito da Batalha de Badr, de Uhud, dos Partidos, e a respeito de muitos outros assuntos. Assim, o Mensageiro de Deus estabeleceu os princípios de governo. O governante, no Islam, tem uma responsabilidade enorme perante o povo que o elegeu para representá-lo, principalmente perante a classe pobre de seu povo. Ele tem o dever de suprir as suas necessidades, preocupar-se com os seus assuntos. Se assim proceder, estará seguro do castigo de Deus. O Mensageiro de Deus (S) disse: "Deus criou algumas pessoas para suprirem as necessidades de outras. A população recorre-se a eles em caso de necessidade. Esses são os que estão em segurança do suplício do Fogo infernal." Foi isso que fez com que o Califa dos muçulmanos, Ômar, dizer a sua famosa frase: "Se uma mula tropeçar no Iraque, Allah irá me questionar porque não aplainei o caminho para a mesma." Dentre as responsabilidades do governante está o garantir as necessidades básicas das pessoas, como moradia, emprego, alimentação, saúde e educação. Quanto à moradia, ela é considerada a primeira necessidade da vida. Quando Deus criou Adão, proporcionou-lhe, em primeiro lugar, a moradia. Ele diz no Alcorão Sagrado: "Dizemos a Adão: Ó Adão, habita o Paraíso com a tua esposa e desfrutai da sua abundância como vos aprouver". Quanto ao emprego, ele restringe a criminalidade, ou, ao menos, proporciona o alimento para a família pobre. Uma noite, Ômar Ibn Al Khattab estava verificando a situação de seus governados quando ouviu o choro de algumas crianças. Ele bateu à porta de onde vinha o choro e perguntou à mãe das crianças a razão de seu choro. A mulher respondeu, sem conhecê-lo: "Que Allah seja nossa testemunha contra Ômar! Ele nos governa e nos negligencia. As crianças estão chorando de fome, e nada tenho para alimentá-los" Ouvindo aquilo, Ômar foi até ao armazém público, pegou um saco de farinha, mel e manteiga, colocou-os nas costas e levou-os à mãe das crianças. Quando um de seus guardas quis carregar o saco de farinha no lugar dele, ele lhe disse: "Será que irás carregar o meu fardo no Dia da Ressurreição?" Sentou-se perante o fogo, misturou a manteiga com a farinha, cozinhou a mistura, untou com mel e deu a comida às crianças. Só saiu de lá quando elas dormiram. É exigido do governante muçulmano que proporcione a justiça social para a população, no sentido de que haja justiça na distribuição dos serviços públicos, sem distinção, porque Deus diz: "Quando julgardes entre as pessoas, fazei-o com eqüidade" (4:58), desta feita, a segurança imperará por toda a sociedade. Foi o que aconteceu no primeiro período do Islam. Um emissário de Cosroé, imperador da Pérsia, foi enviado para falar com o Califa Ômar. Ao chegar à sede do califado, perguntou pelo califa, e lhe foi dito que o mesmo estava dormindo debaixo de uma certa árvore por perto dali. O emissário foi lá ter e o encontrou dormindo profundamente, tendo uma pedra como travesseiro. Ele perguntou novamente se aquele era realmente o califa. Ao dizerem-lhe que era, o emissário disse: "Governas com justiça, por isso dormes em segurança, ó Ômar." Esses são algumas evidências do governo no Islam. Hoje estamos vivenciando os dez últimos dias do mês de Ramadan (o mês do jejum). Por isso, devemos nos empenhar na obediência e no culto a Deus, porque uma dessas dez noites é a Noite do Decreto, que é melhor do que mil noites. O Profeta Mohammad (S), quando dos dez últimos dias de Ramadan, costumava ficar em vigília, acordava seus familiares para se empenharem no culto a Deus. Que nos empenhemos, talvez Deus nos recompensa com a Noite do Decreto. Amém. Wassalamu alaikom warahmatul-láhi wa barakátoh Que a paz e a misericórdia de Deus estejam com todos.
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