![]() |
||||
|
Cientistas
Muçulmanos
Abdul Abbas Ahmad, Ibn Mohammad Ibn Kacir al Farghani, nascido em Farghana, Transoxiânia, foi um dos mais destacados astrônomos a serviço de Al Mamun e dos seus sucessores. Ele escreveu o livro Elementos de Astronomia (kitab fi al harakat al samawiya wa jawani ilm al nujum, ou seja, o livro do movimento celeste e da ciência dos astros), que foi traduzido para o latim, no século 12, e exerceu grande influência sobre a astronomia européia, antes do Regiomontanus. Ele aceitou a teoria de Ptolomeu e o valor da procissão, mas, por meio disso, essa procissão afetava não apenas os astros, mas também os planetas. Ele determinou o diâmetro da terra em cerca de 5.000 quilômetros, e encontrou as maiores distâncias, e encontrou também os diâmetros dos planetas.
As atividades de Al Farghani se estendiam à engenharia. De acordo com o Ibn Tughri Birdi, ele supervisionou a construção do Grande Nilômetro, em Al Fustat (velho Cairo). A obra foi completada em 861, o ano em que o califa Al Mutawakkil, que ordenou a construção, morreu. Porém, a engenharia não foi o forte de Al Farghani, como deixa transparecer a seguinte história narrada pelo Ibn Abi Usaybia.
Al Mutawakkil confiou aos dois filhos de Musa Ibn Chákir, o Mohammad e o Ahmad, a supervisão da escavação de um canal denominado Al Jafari. Eles delegaram o trabalho ao Al Farghani, ignorando deliberadamente um engenheiro melhor, o Sind Ibn Áli, o qual, por ciumeira profissional, foi enviado para Bagdá, longe da corte de Samara. O canal deveria correr por toda a nova cidade, Al Jafariya, que Al Mutawakkil construíra perto de Samara, no Tigre, com um nome tirado ao seu. Al Farghani cometeu um grave erro ao tornar o começo do canal mais fundo do que o resto, fazendo com que a água não fluísse o suficiente na extensão do canal, a não ser quando o Tigre estivesse na sua cheia. As notícias sobre o fato enraiveceram o califa, e os dois irmãos foram salvos de severo castigo apenas pela graciosa deliberação do Sindi Ibn Áli de dar testemunho da exatidão dos cálculos de Al Farghani, arriscando assim o seu próprio bem-estar e, possivelmente, a sua vida. Como foi corretamente predito por astrólogos, Al Mawakkil foi assassinado pouco antes de o erro se tornar aparente. A explicação dada para o erro de Al Farghani é que, sendo ele um engenheiro teórico, não um engenheiro prático, ele nunca completou com sucesso a construção.
O livro fihrist, de Ibn Nadim, escrito em 987, atribui apenas duas obras a Al Farghani: 1) "O Livro dos Capítulos, um sumário do Almagest" (kitab al fussul, ikhtiyar al majisti), e 2) "Livro Sobre a Construção dos Relógios de sol" (kitab amal al rukhamat).
O livro jawami, ou "Os Elementos", como o chamamos, foi o mais bem conhecido e o mais influente trabalho de Al Farghani. O Abd al Aziz al Qabisi (m. em 976) escreveu um comentário sobre o mesmo, o qual está preservado no manuscrito de Istambul, Aya Sofya, fls. 97v-114v. Duas traduções latinas seguiram-se, no século 12. Jacob Anatoli produziu uma tradução hebraica do livro, a qual serviu para uma terceira versão latina que apareceu em 1590, sendo que Jacob Golius publicou um novo texto latino juntamente com o original árabe, em 1669. A influência de "Os Elementos" sobre a Europa medieval é claramente reivindicada pela presença de inúmeros manuscritos latinos na bibliotecas européias.
As referências a ele, entre os escritores medievais, são muitas, e não há dúvida de que ele foi grandemente responsável pela disseminação do conhecimento ptolomaico sobre astronomia, pelo menos até que esse papel foi desempenhado pela esfera de Sacrobosco. Porém, mesmo assim, "Os Elementos" continuou a ser utilizado, sendo que a esfera sacrobosca ficou evidentemente em débito com ele. Foi d'Os Elementos (tradução de Gherard) que o Dante tirou o conhecimento de astronomia mostrado em "Vitta Nuova" e no "Convivio".
MOHAMMAD IBN ZAKARIYA AL RAZI (864-930 A.D.)
Abu Bakr Mohammad Ibn Zakariya al Razi (864-930 A.D.) nasceu em Ray, Irã. Inicialmente, ele esteve interessado em música; porém, mais tarde, aprendeu medicina, matemática, astronomia, química e filosofia, com um estudante de Hunayn Ibn Ishaq, que era também versado nos sistemas gregos, persas e indianos de medicina, e outros assuntos. Ele estudou também sob a orientação de Áli Ibn Rabban. A experiência prática adquirida no renomado Hospital Muqtadari ajudou-o a escolher a profissão de médico. Numa tenra idade ele ganhou eminência como catedrático em medicina e alquimia, tanto que pacientes e estudantes se aglomeravam em torno dele, vindos de distantes partes da Ásia.
Ele foi primeiramente colocado como encarregado do primeiro Hospital Régio de Ray, de onde logo se mudou para uma posição similar, em Bagdá, em que permaneceu por um longo tempo como cabeça do famoso Hospital Muqtadari daquela cidade. De tempos em tempos ele se mudava para várias cidades, especialmente entre Ray e Bagdá; por fim, voltou para Ray, onde morreu por volta do ano 930 E.C.. Seu nome é comemorado no Instituto Razi, perto de Teerã.
Razi foi um médico (hakim), alquimista e filósofo. Na medicina, sua contribuição foi tão significante que pode ser comparada apenas à de Ibn Sina. Algumas das suas obras em medicina ganharam fama duradoura. O livro kitab al mansuri, que foi traduzido para o latim no século 15, compreendia dez volumes e tratava exaustivamente da medicina greco-árabe. Alguns dos seus volumes foram publicados separadamente na Europa. Sua obra al judri wal hassaba foi o primeiro tratado sobre varíola e varicela, e é grandementre baseado na contribuição original de Razi. Foi traduzido em várias línguas européias. Por meio desse tratado, ele tornou-se o primeiro a fazer claras comparações entre varíola e varicela. A obra al háwi foi a maior enciclopédia médica composta então. Ela continha, em cada questão médica, toda a informação importante que estava disponível nas fontes gregas e árabes, e isso foi concluído por ele, fornecendo seus próprios comentários baseados nas suas experiências e nos seus pontos de vista. Uma faceta especial do seu sistema médico foi que ele favoreceu grandemente a cura por meio da alimentação correta regulamentada. Isto estava em combinação com a sua ênfase imprimida sobre a influência dos fatores psicológicos sobre a saúde. Ele propôs ainda remédios primeiramente para serem ministrados em animais, para avaliar os seus efeitos, diretos e colaterais. Foi também um cirurgião competente, o primeiro a usar o ópio para a anestesia.
Em adição a ser um médico, ele compunha remédios e, nos últimos anos, deu-se para as ciências experimental e teórica. Talvez seja possível que ele tenha desnvolvido a sua química, independentemente de Jabir Ibn Haiyan. Ele retratou, com grande detalhe, várias reações químicas, e também forneceu plenas descrições dos e desenhos para cerca de vinte instrumentos usados nas investigações químicas. Sua descrição do conhecimento químico é em linguagem franca e plausível. Um dos seus livros, denominado kitab al asrar trata do preparo de materiais químicos e da sua utilização. Um outro foi traduzido para o latim sob o nome "Liber Exprimentorum". Ele foi além dos seus predecessores no tocante a dividir as substâncias em plantas, animais e minerais, abrindo assim, de certo modo, o caminho para a química inorgânica e orgânica. De modo geral, essa classificação dos três reinos ainda é válida. Como químico, foi o primeiro a produzir o ácido sulfúrico juntamente com outros ácidos, e também preparou o álcool pela fermentação de substâncias açucaradas.
Sua contribuição como filósofo é também muito conhecida. Os elementos básicos, no seu sistema filosófico, são o criador, o espírito, a questão, o espaço e o tempo. Ele discute as características desses elementos em detalhe, e os seus conceitos de espaço e tempo como constituindo uma continuidade são conspícuos. Contudo, seus pontos de vista filosóficos foram criticados por um grande número de muçulmanos da época.
Ele foi um autor prolífico que deixou monumentais tratados sobre inúmeros assuntos. Ele tem, a seu crédito, mais de 200 destacadas contribuições científicas, das quais cerca de a metade trata da medicina e 21 se refere à alquimia. Ele escreveu também sobre física, matemática, astronomia e ótica, mas esses escritos não puderam ser preservados. Um bom número dos seus livros foram publicados em várias línguas européias. Cerca de 40 dos seus manuscritos são ainda existentes nos museus e nas bibliotecas do Irã, de Paris, da Inglaterra, de Rampur e Bankipur. Sua contribuição tem influenciado grandemente no desenvolvimento da ciência, em geral, e da madicina, em particular.
Abu Abdullah Mohammad Ibn Jabir Ibn Sinan al Battani al Harrani nasceu por volta do ano 868 A.D., em Harran, e, segundo um dado, em Battan, um Estado de Harran. Battani foi primeiramente educado pelo seu pai, o Jabir Ibn Sanan al Battani, que era também um renomado cientista. Então ele se mudou para Raqqa, situada às margens do Eufrates onde recebeu educação complementar e, mais tarde, desabrochou como letrado. No começo do século 19 ele emigrou para Samarra, onde trabalhou até ao fim da sua vida, em 929 A.D.. Ele era de origem sabina, mas foi, em si, um muçulmano.
Battani foi um famoso astrônomo, matemático e astrólogo. Ele é tido como um dos maiores astrônomos do Islam. É responsável por inúmeras importantes descobertas em astronomia, que foi o resultado de uma longa carreira de 42 anos de pesquisa, que começou em Raqqa, quando ele era ainda jovem. Sua bem conhecida descoberta é a notavelmente acurada determinação do ano solar ser de 365 dias, 5 horas e 24 segundos, que está muito perto das últimas estimativas. Ele descobriu que a longitude do apogeu do sol havia aumentado em 16, desde Ptolomeu. Isso implicou na importante descoberta dos movimentos das apsides solares, e numa morosa variação na equação do tempo. Ele não acreditava na vibração dos equinócios, embora Copérnico a sustentasse.
Al Battani determinou, com notável acuidade, a obliquidade da elítica, a duração das estações, e a verdadeira e média órbita do sol.
Ele provou, em gritante contraste a Ptolomeu, a variação do aparente diâmetro angular do sol, e a possibilidade dos eclipses anulares. Ele retificou várias órbitas da lua e dos planetas, e propôs uma teoria muito genial para determinar as condições de visibilidade da lua nova. Suas excelentes observações dos eclipses solar e lunar foram usadas por Dunthorn em 1749, para se determinar a aceleração secular do movimento da lua. Ele proporcionou ainda soluções concisas, por meio de projeções ortográficas, para alguns problemas da trigonometria esférica.
Na matemática, ele foi o primeiro a substituir o uso das cordas gregas pelos senos, com um claro entendimento da superioridade destes últimos.
Ele desenvolveu ainda o conceito de co-tangente, e forneceu sua tabela em graus.
Ele escreveu um bom número de livros sobre astronomia e trigonometria. O seu livro mais famoso foi o seu tratado de astronomia com tabelas, que foi traduzido para o latim no século 12, e floresceu com o nome De Scienta Stellerum De Numeris Stellerum et Motibus. Uma velha tradução disto está à disposição do Vaticano. Sua obra zij foi, na verdade, mais acurada do que todas as outras escritas no seu tempo.
Seu tratado sobre astronomia foi extremamente influente na Europa, até à Renascença, com traduções disponíveis em várias línguas. Suas descobertas originais, tanto em astronomia como em trigonometria, foram de grande conseqüência no desenvolvimento dessas ciências.
ABU AL NASR AL FARABI (870-950 A.D.)
Abu Nasr Mohammad Ibn al Farakh al Farabi nasceu no pequeno vilarejo de Wasij, perto de Farab, no Turquestão, em 259 H. (870 A.D.). Seus pais eram de descendência persa, mas seus ancestrais haviam emigrado para o Turquestão. Conhecido na Europa como Al Pharabius, o Farabi era filho de um general. Ele completou a sua educação primária em Farab e Bukhara, porém, mais tarde, foi para Bagdá em busca de estudos mais avançados, onde estudou e trabalhou por um longo tempo, a saber, de 901 a 942 A.D.. Durante esse período ele adquiriu maestria quanto a várias línguas, bem como a vários ramos de conhecimento e tecnologia. Farabi viveu sob os reinados de seis califas abássidas. Como filósofo e cientista, ele adquiriu grande proficiência em vários ramos de aprendizado, e é relatado ter sido um catedrático, em diferentes línguas.
Farabi viajou para muitas terras distantes e estudou por algum tempo em Damasco e no Egito, mas voltava repetidamente para Bagdá, sendo que chegou a visitar a corte de Saif al Daula, em Halab (Alepo). Tornou-se um dos companheiros constantes do rei, e foi aqui, em Halab, que a sua fama se espalhou em todas as direções. Durante seus tenros anos, ele foi um cádi (juiz), porém, mais tarde, ele tomou o professorado como sua profissão. Durante o decurso da sua carreira, ele sofreu grandes percalços, sendo que numa ocasião ele trabalhou como jardineiro. Ele morreu solteiro em Damasco, em 339 H./950 A.D., com a idade de 80 anos.
Farabi contribuiu consideravelmente para a ciência, filosofia, lógica, sociologia, medicina, matemática e música. Suas maiores contribuições parecem ser na filosofia, lógica e sociologia, e, certamente, destacou-se como um enciclopedista. Como filósofo, ele pode ser classificado um neoplatônico que tentou sintetizar o platonismo e o aristotelismo com a teologia; ele escreveu riquíssimos comentários sobre a física, meteorologia, lógica, etc. aristotélicas, em acréscimo a um grande número de livros sobre vários outros assuntos, encorpando de tal maneira a sua contribuição, que chegou a ser conhecido como o "Segundo Professor" (al mouallim al sani), sendo Aristóteles, o Primeiro. Uma das importantes contribuições de Farabi foi tornar mais fácil o estudo da lógica, por meio de dividi-la em duas categorias, a saber, takhaiyul (idéia) e subut (prova).
Em sociologia, ele escreveu vários livros, dos quais o ara ahl al madina al fádila tornou-se famoso. Seus livros sobre psicologia e metafísica eram amplamente baseados no seu próprio trabalho. Ele escreveu também um livro sobre música entitulado kitab al miziqa. Ele foi um catedrático na arte e ciência da música, sendo que inventou vários instrumentos musicais, além de controbuir para o conhecimento das notas melódicas. Foi relatado que ele tocava tão bem os seus instrumentos, a ponto de fazer as pessoas rirem ou chorarem, com sinceridade. Na física, ele demonstrou a existência do vazio ou vácuo.
Embora muitos dos seus livros se tenham perdido, 117 são conhecidos, dos quais 43 sobre lógica, 11, metafísica, 7, ética, 7, ciência política, 17, música, medicina e sociologia, enquanto 11 são comentários. Alguns dos seus livros mais famosos incluem o fusus al hikam, que ficou sendo o livro-texto de filosofia por muitos séculos, em vários centros de aprendizado, e é ainda ensinado em algumas instituições do Oriente. O livro kitab al lhsa al ulum discute, de um modo singular e útil, a classificação e os princípios fundamentais da ciência. O livro ará ahl al madina al fádila (A Cidade Modelo) é uma significativa contribuição primária à sociologia e à ciência política.
Farabi exerceu, por vários séculos, grande influência na ciência e no conhecimento. Infelizmente, o livro "Teology of Aristotle" (A Teologia de Aristóteles), que estava à sua disposição, naquele tempo, considerado genuíno por ele, veio mais tarde a se revelar ser obra de um escritor neoplatônico. Apesar disso, ele foi considerado, por séculos, o Segundo Professor em filosofia, sendo que a sua obra, visando o sintetismo da filosofia e do sufismo, pavimentou o caminho para a obra do Ibn Sina.
Abul Hassan Áli Ibn Hussein Ibn Áli al Massudi era descendente de Abdallah Ibn Massud, um companheiro do Profeta (que a paz esteja com ele). Um exímio geógrafo, físico e historiador, Massudi nasceu na última década do século 9 A.D., sendo que a data exata do nascimento não é conhecida. Foi um árabe pertencente ao grupo mutazila que explorou terras distantes, e morreu no Cairo no ano 957 A.D..
Ele viajou para Fars em 915 A.D. e, após estar por um ano em Istikhar, continuou via Bagdá para a Índia, onde visitou Multan e Mansura, antes de voltar para Fars. Daí ele viajou para Kirman e, novamente, para a Índia. Mansura, naqueles dias, era uma cidade de grande renome, e era a capital do Estado Muçulmano de Sind. Em torno deste, havia nuitos assentamentos de novos convertidos ao Islam. Em 918 A.D., Massudi viajou para Gujrat, onde mais de 10.000 muçulmanos árabes se haviam assentado no porto marítimo de Chamur. Viajou também para Deccan, Ceilão, Indo-china e China, e continuou via Madagáscar, Zanzibar e Oman, para Basra.
Em Basra, ele completou o seu livro muruj al Sahab, no qual ele descreveu, de modo mais absorvente, as suas experiências passadas em vários países, junto a pessoas e climas. Ele relatou os seus contatos pessoais com judeus, iranianos, indianos e cristãos. De Basra, ele se mudou para a Síria, e daí para o Cairo, onde escreveu o seu segundo e extensivo livro muruj al zaman, em trinta volumes. Nesse livro ele descreveu em detalhes a geografia e a história dos países que visitou. O seu primeiro livro foi completado em 947 A.D.. Ele preparou também um suplemento intitulado kitab al aussat, no qual compilou, cronologicamente, os eventos históricos. Em 957 A.D., o ano da sua morte, ele completou o seu último livro, o kitab al tanbih wa al ichraf, no qual apresentou um sumário do seu livro primário, bem como as erratas.
Massudi é tido como o Heródoto e o Pliny dos árabes. Por meio de apresentar um relato crítico dos eventos históricos, ele iniciou uma mudança na arte dos escritos historiógrafos, introduzindo os elementos de análise, reflexão e crítica, coisa que foi mais tarde melhorada pelo Ibn Khaldun. Em particular, no livro al tanbih, ele faz um estudo sistemático da história contra uma perspectiva de geografia, sociologia, antropologia e ecologia. Massudi tinha um profundo discernimento quanto às causas da ascensão e queda das nações.
Com suas abordagens científica e analítica, ele forneceu um relato das causas do terremoto de 955 A.D., bem como das discussões sobre a água do Mar Vermelho e outros problemas científicos da terra. É o primeiro autor a fazer menção aos moinhos de vento que foram inventados pelos muçulmanos do Sijistão.
Massudi fez também importantes contribuições para a música e outros campos da ciência. No seu livro muruj al sahab ele proporciona uma informação importante sobre a primitiva música árabe, bem como a de outros países.
Seu livro muruj al sahab wa al maádin al jawáhir (Campinas de Ouro e Minas de Pedras Preciosas), tem sido considerado "notável" por cuasa da acuridade do seu autor, que não negligenciou nenhuma fonte de informação, nem o motivo da sua verdadeira curiosidade científica. Como foi mencionado acima, ele foi seguido pelo tratado muruj al zaman. Em acréscimo a escrever o suplementar kitab al aussat, ele completou o kitab al tabin wa al ichraf, já chegando ao fim da sua carreira. Portanto, é lamentável o fato de que, dos 34 livros mencionados por ele mesmo no al tanbih, apenas três sobreviveram, além do próprio al tanbih.
Algumas dúvidas têm surgido sobre alguns relatos das suas viagens extensivas, a saber, à China e Madagáscar, e a situação correta não pode ser acessada devido à perda de vários dos seus livros. O que quer que seja que ele tenha registrado foi com uma abordagem científica, e constituiu uma importante contribuição para a geografia, história, e as ciências da terra. É interessante anotarmos que ele foi um dos cientistas primários que expôs vários aspectos da evolução dos minerais à planta, da planta ao animal e do animal ao homem. Suas pesquisas e seus pontos de vista influenciaram extensivamente as ciências da hitoriografia, geografia e as da terra, por vários séculos.
Abul Qassim Khalaf Ibn al Abbas al Zahrawi (conhecido no Ocidente como Abulcassis) nasceu no ano 936 A.D., em Zahra, nas vizinhanças de Córdoba. Tornou-se um dos mais renomados cirurgiões da era muçulmana, e foi médico do rei Al Hakam II da Espanha. Após uma longa carreira médica, rica de significantes e originais contribuições, ele morreu, em 1013 A.D..
Ele é mais bem conhecido pelas suas originais abordagens no campo da cirurgia, e também pela sua famosa Enciclopédia Médica denominada al tasrif, que é composta de trinta volumes, que cobrem diferentes aspectos da ciência médica. A parte mais importante dessa série compreende três livros sobre cirurgia, os quais descrevem detalhadamente os vários aspectos do tratamento cirúrgico, baseados nas operações realizadas por ele, incluindo a cauterização, a retirada de pedras da bexiga, a dissecção de animais, a obstetrícia, a adstrigência, e a cirurgia do olho, do ouvido e da garganta. Ele se especializou em curar as doenças pela cauterização, sendo que aplicava a técnica em 50 diferentes operações.
Em seu livro al tasrif, Al Zahrawi discute também o preparo de vários remédios, em acréscimo a uma compreensiva demonstração de tratamento cirúrgico, em ramos especializados, cujas modernas contra-partidas são a E.N.T., a oftalmologia, etc.. Em conexão com o preparo de remédios, ele ainda descreveu em detalhes a aplicação de técnicas como a sublimação e a decantação. Al Zahrawi foi também um catedrático em odontologia, e seu livro sobre o assunto contém esboços de vários instrumentos usados para o caso, em acréscimo à descrição de várias operações odontológicas importantes. Discutiu o problema dos dentes desalinhados ou deformados, e o modo como retificar esses defeitos. Ele desenvolveu a técnica de preparar dentes artificiais, e a substituição dos dentes defeituosos pelos artificiais. Na medicina, ele foi o primeiro a descrever em detalhes a doença incomum, hemofilia.
Não pode haver dúvida de que Al Zahrawi influenciou mui profundamente o campo da medicina e cirurgia, e os princípios estabelecidos por ele foram reconhecidos como autênticos na ciência médica, especialmente na cirurgia, e eles continuaram a influenciar o mundo médico, por cinco séculos. Segundo o Dr. Cambell (History of Arab Medicine História da Medicina Árabe), os seus princípios de ciência médica ultrapassaram os de Galen, no currículo médico europeu.
Abul Wafa Mohammad Ibn Mohammad Ibn Yahya Ibn Ismail al Buzjani nasceu em Buzjan, Nishapur, em 940 A.D.. Ele desabrochou como grande matemático e astrônomo em Bagdá, e morreu em 997/998 A.D.. Aprendeu matemática em Bagdá. Em 959 A.D. emigrou para o Iraque, onde viveu até à sua morte.
A principal contribuição de Abul Wafa é encontrada em vários ramos da matemática, especialmente na geometria e trigonometria. Na geometria, sua contribuição abrange as soluções de problemas geométricos encontrados na abertura da esfera; a construção de um quadrado equivalente a outros quadrados; um poliedro regular; a construção de um hoctógono, tomando, para seu lado, a metade do lado de um triângulo equilátero, no mesmo círculo; a construção da parábola por pontos, e a solução geométrica das equações:
x4 = a e x4 + ax3 = b
A contribuição de Abul Wafa para o desenvolvimento da trigonometria foi extensivo; ele foi o primeiro a mostrar a generalidade do teorema senóidico relativo aos triângulos esféricos. Ele desenvolveu um novo método de se construírem tabelas senóidicas, com o valor do seno a 30', sendo corrigido para a oitava casa decimal. Desenvolveu também as relações para o seno (a+b), e a fórmula:
2 seno2 (a/2) = cos a e seno a = 2 seno (a/2) cos (a/2).
Em acréscimo, ele desenvolveu um estudo especial da tangente, e calculou uma tabela das linhas da mesma. Ele introduziu a secante e co-secante pela primeira vez, e tornou-se conhecedor das relações entre as linhas trigonométricas, que agora são usadas para as definir, e empreendeu extensivos estudos sobre as figuras cônicas.
Além de ser um matemático, Abul Wafa também contribuiu para a astronomia. Nesse campo, ele discutiu os diferentes movimentos da lua, e descobriu a "variação". Ele foi ainda um dos últimos tradutores árabes e comentaristas das obras em grego.
Ele escreveu um grande número de livros sobre matemática e outros assuntos, a maioria dos quais foram perdidos, ou existem em formas modificadas. Sua contribuição inclui os livros kitab ilm al hissab, um livro prático de aritmética, al kitab al kámil (o Livro Completo), e kitab al handsa (Geometria Aplicada). Além desses, ele escreveu ricos comentários sobre Euclides, Diofantos e Al Khawarizmi, mas todos estes foram perdidos. Seus livros ainda existentes incluem os kitab ilm al hissab, kitab al handsa e kitab al kámil.
Seu conhecimento sobre os movimentos da lua foram criticados, astronomicamente falando; na caso da "variação", a terceira desqualificação da lua, como ele discutia, era a segunda parte da "evecção". Porém, de acordo com Sedat, o que ele descobriu foi a mesma coisa que foi descoberta pelo Tycho Brache, seis séculos antes. Não obstante, a sua contribuição para a trigonometria foi extremamente significativa, pois ele desenvolveu o conhecimento sobre a tangente, e introduziu a secante e co-secante pela primeira vez; na verdade, uma considerável parte da trigonometria de hoje pode ser remontada a ele.
ABU ÁLI HASSAN IBN AL HAIÇAM (965-1040 A.D.)
Abu Áli Hassan Ibn al Haiçam foi um dos mais eminentes físicos cujas contribuições quanto à ótica e aos métodos científicos são salientes. Conhecido no Ocidente como Al Hazen, o Ibn al Haiçam nasceu em 965 A.D., em Basra, e foi educado nessa cidade e em Bagdá. Depois foi para o Egito, onde lhe foi pedido que encontrasse um meio de controlar as cheias do Nilo. Não tendo sucesso nisso, ele fingiu estar louco, até à morte do califa Al Hakim. Ele também viajou à Espanha e, durante esse período, teve muito tempo para urgir os seus estudos científicos, que incluiam a ótica, matemática, física, medicina e o desenvolvimento de métodos científicos, sendo que em cada um destes ele deixou vários livros de destaque.
Ele fez um exame completo da passagem da luz através de vários corpos, e descobriu as leis da refração. Ele também elaborou as primeiras experiências quanto à dispersão da luz em suas cores constitutivas. Seu livro kitab al manadhir foi traduzido para o latim, na Idade Média, assim como o seu livro que tratava das cores do pôr-do-sol. Ele tratou amplamente da teoria de vários fenômenos físicos, como as sombras, os eclipses, o arco-íris, e especulou quanto à natureza física da luz. Foi o primeiro a descrever acuradamente as várias partes do olho, e a dar uma explicação científica do processo da visão. Tentou ainda explicar a visão binocular, e deu uma explicação correta do aparente aumento de tamanho do sol e da lua, quando próximos do horizonte. Ele é conhecido pelo uso primário da câmara escura. Ele contradisse as teorias de Ptolomeu e Euclides quanto à visão, que diziam que os objetos são vistos pelos raios de luz que emanam dos olhos; segundo ele, os raios se originam no objeto da visão, não no olho. Por causa dessas extensivas pesquisas quanto à oftalmologia, ele tem sido considerado o pai da moderna Ótica.
A tradução latina da sua principal obra, kitab al manazir, exerceu uma grande influência sobre a ciência ocidental, a saber, nas obras de Bacon e Kepler. Ela ocasionou um grande progresso nos métodos experimentais. Sua pesquisa sobre a catóptrica se centralizava nos espelhos esféricos e parabólicos e na aberração esférica. Ele fez a importante observação de que o raio entre o ângulo de incidência e a refração não permanece constante, e investigou o poder aumentativo de uma lente. Sua catóptrica contém o importante problema conhecido como o problema de Al Hazen. Ela compreende o desenho de linhas procedentes de dois pontos no plano de um círculo, as quais se encontram num ponto da circunferência, e fazem ângulos iguais com o normal, nesse ponto. Isso leva a uma equação do quarto grau.
Em seu livro mizan al hikma, o Ibn al Haiçan discutiu a densidade da atmosfera e desenvolveu uma relação entre ela e a altura; estudou também a refração atmosférica. Ele descobriu que o crepúsculo somente cessa ou começa quando o sol está a 19º abaixo do horizonte, e tentou medir a altura da atmosfera nessa base. Discutiu também as teorias da atração das massas, e parece que ele estava ciente da magnitude da aceleração, devido à gravidade.
Sua contribuição para a matemática e a física foi extensiva. Na matemática, ele desenvolveu a geometria analítica por meio da ligação entre ela e a álgebra. Ele estudou o mecanismo do movimento de um corpo, e foi o primeiro a afirmar que um corpo se movimenta perpetuamente, a menos que uma força externa o pare ou mude a direção do seu movimento. Isso pareceria o equivalente à primeira lei do movimento.
A lista dos seus livros alcança os 200 ou mais, pouquíssimos dos quais sobreviveram. Mesmo o seu monumental tratado sobre ótica sobreviveu por meio de uma tradução latina, hebriaca ou de outras línguas. Ele também escreveu, sobre o assunto da evolução, um livro que merece séria atenção, ainda hoje.
Nos seus escritos, a gente pode ver um claro desenvolvimento dos métodos científicos, como foram desenvolvidos e aplicados pelos muçulmanos, contendo a observação sistemática dos fenômenos físicos, e sua ligação conjunta com a teoria científica. Isso foi a maior brecha na metodologia científica, bem distinto da advinhação e do gesto, e colocou as buscas científicas numa salutar fundação, coisa que compreendia uma relação sistemática entre a observação, a hipótese e a verificação.
A influência de Ibn al Haiçam na ciência física, em geral, e na ótica, em particular, tem estado em alta estima e, na verdade, ela introduziu uma nova era na pesquisa ótica, tanto na teoria como na prática.
ABU AL HASSAN AL MAWARDI (972-1058 A.D.)
Abu al Hassan Áli Ibn Mohammad Ibn Habib al Mawardi nasceu em Basra em 972 A.D.. Ele foi primeiramente educado em Basra onde, após a completação da sua educação básica, aprendeu fiqh (jurisprudência islâmica) com o jurista Abu al Wahid al Simari. Então ele foi para Bagdá para obter estudos mais avançados sob a orientação dos sheikhs Abd al Hamid e Abdallah al Báqi. Sua proficiência em ética jurisprudente, em ciência política e literatura, provou ser-lhe útil no tocante a lhe assegurar uma respeitável carreira. Depois do seu apontamento inicial como cádi (juiz), ele foi gradativamente promovido a postos mais elevados, até que se tornou ministro da justiça, em Bagdá. O califa abássida Al Qaim bin Amr Allah designou-o como seu embaixador itinerante, e o enviou para inúmeros países como cabeça de missões especiais. Nessa capacitância, ele desempenhou um papel-chave no tocante a estabelecer uma harmoniosa relação entre o declinante califado abássida e as forças florescentes dos Buwahids e Seljúcidas. Ele foi favorecido com ricos presentes e tributos da maioria dos sultães daquele tempo. Ele estava ainda em Bagdá quando a cidade foi tomada pelos Buwahids.
Al Mawardi morreu em1058 A.D.
Al Mawardi foi um grande jurista, mohaddis, sociólogo e um catedrático em ciência política. Foi jurista na escola de fiqh, sendo que seu livro al háwi sobre os princípios da jurisprudência foi tido em elevada reputação.
Sua contribuição para a ciência política e sociologia inclui um bom número de livros monumentais, sendo, os mais famosos, kitab al ahkam al sultania, canun al wazara e kitab nassihat al mulk. Os livros discutem os princípios da ciência política, com especial referência às funções e aos deveres dos califas, do ministro-mor, de outros ministros, as relações entre os vários elementos públicos ou governamentais, aquilata o vigor do governo, e preconiza a vitória na guerra. Dois desses livros, o al ahkam al sultania e o canun al wazara, têm sido publicados, e traduzidos para várias línguas. Considera-se que ele seja o autor/apoiador da "Doutrina da Necessidade", na ciência política. Assim sendo, ele era a favor de um califado forte, e desencorajava os poderes ilimitados atribuídos aos governadores, coisa que tendia a criar o caos. Por outro lado, ele expunha claros princípios para a eleição do califa e para as qualificações dos votantes, qualificações essas que requeriam um nível médio de intelectualidade e pureza de caráter.
Na ética, escreveu o livro kitab ádab al dunya wa al din, que, no seu gênero, tornou-se largamente popular, sendo ainda lido nos países islâmicos.
Al Mawardi tem sido considerado um dos mais famosos pensadores da ciência, que existiram na Idade Média. Seu trabalho original influenciou no desenvolvimento da ciência juntamente com a ciência da sociologia, que mais tarde foi ainda mais desenvolvida pelo Ibn Khaldun.
Abu Raihan Mohammad Ibn Ahmad al Biruni foi uma das conhecidíssimas figuras associadas à corte do rei Mahmud Ghaznawi, que foi um dos mais famosos reis muçulmanos do século 11 A.D.. Al Biruni um estudante versátil, e um cientista que tinha igual facilidade na física, metafísica, matemática, geografia e história. Nascido na cidade de Kheva, perto do "Ural", em 973 A.D., foi contemporâneo do famoso médico Ibn Sina. Numa tenra idade, a fama da sua escolaridade se espalhou; quando o sultão Mahmud Ghaznawi conquistou a sua terra natal, levou Al Biruni consigo nas suas viagens à Índia, por várias vezes, e assim ele teve a oportunidade de viajar por toda a Índia, num período de 20 anos. Ele aprendeu a filosofia hindu, matemática, geografia, e a religião dos Pundits, aos quais ele ensinou ciência e filosofia grega e árabe. Morreu em 1048 A.D. com a idade de 75 anos, após passar 40 anos adquirindo erudição, e dando a sua original contribuição para ela.
Ele registrou observações das suas viagens pela Índia, no seu bem conhecido livro kitab al hind, o qual fornece uma exposição gráfica das condições históricas e sociais do sub continente. No final do seu livro ele faz menção de ter traduzido dois livros em sânscritos para o árabe, um denominado sakaya, que trata da criação das coisas e os seus tipos, e o segundo, patanjal, que trata do que acontece quando o espírito deixa o corpo. Suas descrições da Índia eram tão completas, que até o ain i akbari, escrito por Abu al Fadal durante o reinado de Akbar, 600 anos mais tarde, deve um grande tributo ao livro de Biruni. Ele observou que os vales hindus devem ser considerados uma antiga bacia marítima enchida com aluviões.
Na sua volta da Índia, Al Biruni escreveu o seu famoso livro canun i massud (al canun al massud, fi al haia wa al nujum), o qual dedicou ao sultão Massud. O livro discute vários teoremas de astronomia, trigonometria, os movimentos solar, lunar e planetário, e tópicos relacionados a isso. Em outro livro conhecidíssimo, al açar al báquia, faz tentativas no sentido de demonstrar uma ligação entre a antiga história das nações e o relacionado conhecimento geográfico. Nesse livro, ele discutiu a rotação da terra, e forneceu os valores corretos das latitudes e longitudes de vários lugares. Nesse mesmo livro ele presta ainda uma considerável contribuição quanto a vários aspectos da física e da geografia econômica.
Suas outras contribuições científicas incluem a acurada determinação das densidades de 18 pedras diferentes. Ele escreveu também o livro kitab al saidana, que é uma extensiva matéria médica que combina o então existente conhecimento árabe sobre o assunto com a medicina indiana. Seu livro kitab al jamahir trata das propriedades de várias pedras preciosas. Ele foi ainda um astrólogo, e diz-se que assombrou as pessoas com a acuidade das suas predições. Ele forneceu uma clara exposição dos numerais hindus, elaborando o princípio da posição. A soma da progressão geométrica, pertinente ao jogo de xadrez, levou ao seguinte número:
264 1 = 18, 446, 744, 073, 709, 551, 619.
Ele desenvolveu um método para a trissecção de um ângulo, e para outros problemas que não podiam ser resolvidos somente com uma régua e um compasso. Al Biruni discutiu, séculos antes do resto do mundo, a questão concernente a se a terra gira ou não em torno do seu eixo. Ele foi o primeiro a encarregar-se de experimentos relacionados ao fenômeno astronômico. Seu método científico, juntamente com os de outros cientistas muçulmanos, como Ibn al Haiçam, estabeleceram a fundação da ciência moderna. Ele asseverou que, comparada com a velocidade do som, a velocidade da luz é imensa. Ele explicou os trabalhos dos chafarizes e dos poços artesianos por meio do princípio hidrostático dos vasos comunicadores. Suas investigações incluem a descrição de várias anomalias, incluindo aquela dos irmãos gêmeos "Siameses". Ele observou que as flores têm 3, 4, 5, 6, ou 18 pétalas, nunca 7 ou 9.
Ele escreveu um bom número de livros e tratados. Além do kitab al hind (História e Geografia da Índia), do al canun al massud (Astronomia, Trigonometria), do al açar al báquia (História e Geografia Antigas), do kitab al saidana (Matéria Médica) e do kitab al jawáhir (Pedras Preciosas acima mencionado), seu livro al tafhim li awail sanát al tanjim fornece um sumário da matemática e da astronomia.
Ele tem sido considerado um dos maiores cientistas do Islam e, tudo considerado, um dos maiores de todos os tempos. Seu espírito crítico, seu amor à verdade, e sua abordagem científica, estavam combinados com um senso de tolerância. Seu entusiasmo pelo conhecimento pode ser julgado pela sua afirmação de que a frase "Allah é Onisciente" não justifica a iganorância.
Abu Áli al Hussain Ibn Abdallah Ibn Sina nasceu em 980 A.D., em Isfahan, perto de Bukhara. Abu Áli recebeu a sua educação primária em Bukhara, e com a idade de dez anos tornou-se versadíssimo no estudo do Alcorão e de várias outras ciências. Começou estudando filosofia por meio de ler vários livros gregos e muçulmanos sobre aquela matéria, e e aprendeu lógica e outros assuntos com o Abu Abdallah Natili, um famoso filósofo da época. Ainda muito jovem, ele obteve um elevado grau como catedrático em medicina, tanto que o seu renome se espalhou em todas as direções. Com a idade de 17 anos, ele teve a sorte de curar o Nuh Ibn Mansur, rei de Bukhara, de uma doença que renomados médicos haviam desistido de tentar curar. Na sua recuperação, o rei quis recompensá-lo, mas o jovem médico apenas desejou permissão para usar a singular e bem estocada biblioteca do palácio.
Com a morte do seu pai, o Abu Áli deixou Bukhara e viajou para Jurjan, onde o Khawarizm Xá lhe deu as boas-vindas. Aí ele se encontrou com o seu famoso contemporâneo Abu Raihan al Biruni. Mais tarde mudou-se para Ray e depois para Hamadan, onde escreveu o seu famoso livro al canun fi al tibb. Nesse local ele tratou o Chams al Daula, o rei de Hamadan, de uma forte cólica. De Hamadan ele se mudou para Isfahan, onde completou muitos dos seus monumentais escritos. Contudo, continuou viajando, sendo que o excessivo esforço mental e o tumulto político arruinaram-lhe a saúde. Por fim ele voltou para Hamadan, onde morreu em 1037 A.D.
Ele foi o mais famoso físico, filósofo, enciclopedista, matemático e astrônomo do seu tempo. Sua maior contribuição à ciência médica foi o seu famoso livro al canun, conhecido no Ocidente como "Canon". O livro canun fi al tibb é uma imensa enciclopédia de medicina que se estende para mais de um milhão de palavras. Ele abrangia todo o conhecimento medicinal que estava disponível, procedente das antigas fontes muçulmanas. Devido à sua abordagem sistemática, "a perfeição formal, bem como o seu valor intrínseco, o canun suplantou o livro háwi, de Razi, o livro máliki, de Áli Ibn Abbas, e mesmo as obras de Galen, e permaneceu supremo por seis séculos." Em acréscimo a juntar o então conhecimento disponível, o livro é enriquecido com a contribuição original do autor. Sua contribuição original importante inclui alguns avanços, como o reconhecimento da natureza contagiante da tísica e da tuberculose, a distribuição das doenças pela água e pelo solo, e a interação entre a psicologia e a saúde. Em acréscimo a descrever os métodos farmacológicos, o livro descreve 760 drogas, e se torna a mais autêntica matéria médica da época. Ele foi também o primeiro a descrever a meningite, e fez grandes contribuições para a anatomia, ginecologia e para a saúde da criança.
Sua enciclopédia filosófica kitab al chifá foi uma obra monumental, encorporando um vasto campo de conhecimento, da filosofia à ciência. Ele calssificou todo o campo, da sequinte maneira: conhecimento teórico: física, matemática e metafísica; conhecimento prático: ética, economia e política. Sua filosofia sintetiza a tradição aristotélica, as influências neoplatônicas, e a teologia muçulmana.
Ibn Sina contribuiu também para a matemática, física, música, e outros campos. Ele explicou a "prova dos nove" e suas aplicações para a verificação dos quadrados e do cubos. Ele fez várias observações astronômicas, e arquitetou um dispositivo semelhante ao de Vernier para aumentar a precisão dos instrumentos de leitura. Na física, a sua contribuição compreende o estudo de diferentes formas de energia, calor, luz e macânica, e conceitos, como força, vácuo e infinidade. Ele fez a importante observação de que a percepção da luz é devida à emissão de alguma espécie de partícula vinda de fonte luminosa, sendo que a velocidade da luz deve ser finita. Ele propôs uma intercomunicação entre o tempo e o movimento, e também fez investigações sobre a gravidade específica, e usou o termômetro atmosférico.
No campo da música, sua contribuição foi um melhoramento da obra de Farabi, e ficou bem à frente do conhecimento que prevalecia sobre o assunto. A duplicação da quarta e da quinta foi um "grande" passo rumo ao sistema harmônico, e a duplicação da terceira parece ter sido também permitida. Ibn Sina observou que nas séries de consonâncias representadas por (n + 1)/n, o ouvido é incapaz de as distinguir quando n = 45. No campo da química, ele não acreditava na possibilidade de transmutação das substâncias porque, na sua opinião, os metais diferenciavam-se, num sentido fundamental. Esses pontos de vista eram radicalmente opostos aos prevalecentes naquele tempo. Seu tratado sobre minerais foi uma das "principais" fontes de geologia dos enciclopedistas cristãos do século treze. Além do livro chifá, seus conhecidíssimos tratados de filosofia são al najat e icharat. |
||||